17.11.09

Ah! Tininha!!!

Quando se casaram ela não podia encostar a barriga lisa e na medida certa na pia para lavar louça ou ralar um pepino que lá vinha ele. Com a mão boba, a pegada forte e a intenção indecente. Era toda noite a mesma coisa. Fetiche eterno. Ela na pia. Ela achava que a tara mesmo era na figura de uma doméstica mas levava numa boa. Lá ia ele todo pegando aqui, apertando dali e ela sempre falando que a cenoura ia ressecar mas sempre cedendo aos encantos do recém admitido marido e candidato a amante para o resto da existência se ele continuasse safado daquele jeito. Ótimo um marido que te quer na pia, no ralo, no bidê, na puta que pariu, sempre bom para a estima da buzanfa marcada pelas coisas do tempo. Quando se casaram ela tinha até vergonha de beijá-lo em público, sempre recatada. Ele não. Ele era todo manifestação de carinho que era para todo mundo saber que ali estava a mulher que ele tinha escolhido para passar a vida toda em cima (e embaixo) da cama. Ele não podia vê-la amarrando os cabelos para ajeitar a malfadada touca enquanto a água esquentava. E lá ia ele. Tirando as calças enquanto escorregava e pulava de um pé só para não perder o time do negócio e da pegada. Por algumas vezes ela quis que ele fosse ao médico com medo de ele ter “aquela” doença de quem tem vício em sexo. Mas não era doença. Era tara por ela.


Os anos se passaram. Ela continuou lavando louça com as mesmas calças apertadas mas ele não continuou com o fetiche noturno de toda santíssima noite. Talvez fosse a idade. Ou talvez não.
Hoje quando ele chega às vezes fala oi mas às vezes se joga no sofá e em cinco minutos cochila num cansaço aparente e quase desumano para um homem da idade dele. Muito trabalho, coitado. Hoje, ela coloca as calças mais apertadas que tem e encosta na pia elevando as grandes, abatidas e caídas nádegas para ver se estimula a pipa do vovô. E ele abre a geladeira, comenta da vida de fulano de tal e ajuda sua barriga no plano de expansão 2010. Vai para sala tomando coca-cola no gargalo. Ela chora as pitangas para as amigas. Acabou o desejo dele. Só se for por ela, contam as fofoqueiras de plantão. Ele está cansado assim porque há 3 anos a Tininha da rua de trás arranca dinheiro dele. E ele dá porque quando ela encosta a barriga tanquinho na pia da cozinha da casa que ele comprou para ela, ah meu irmão, aí ele fica louco.

1 comentários:

Olavo disse...

Acontece...e acontece muito.
Bela narrativa a sua.
Bom final de semana
Beijos

 
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